sexta-feira, 7 de abril de 2006

Vídeo - Pas-de-deux da Fada Açucarada

Não sei se vou conseguir postar mais hoje, por isso deixo com vocês um link valiosíssimo para o download de uma belíssima peça coreográfica: o pas-de-deux da Fada Açucarada dançado pelo Ballet Béjart. A versão completa da companhia para O Quebra-Nozes é toda revisitada no estilo do coreógrafo, mas, logo antes desse pas-de-deux, entra um dos bailarinos para dizer que o Béjart não quis mexer na coreografia original de Petipa, considerada uma obra-prima.
O arquivo é meio grande (mais de 20MB), mas vale a pena. É muuuuito bem dançado.

http://rapidshare.de/files/17076234/Fairy_pas-de-deux.avi.html

INSTRUÇÕES PARA O DOWNLOAD: O vídeo está em outro servidor. Quando você clicar no link, vai abrir outra janela. Desça a barra de rolagem até o meio da página e clique na palavra FREE. Uma nova página abrirá. Mais uma vez, desça a barra de rolagem e espere a contagem regressiva. Digite o código de segurança fornecido e dê o ok para começar o download.

quinta-feira, 6 de abril de 2006



Como dissolver as arestas de um quadrado

Em Coreografismos, a carioca Staccato Cia. de Dança se propõe a explorar os limites do corpo que dança e surpreende ao organizar, a partir de pouco, um inventário de movimentos muito mais complexo do que se poderia imaginar


Até onde nosso corpo pode chegar? Naturalmente limitado pela sua determinação física, ele tende a conformar suas possibilidades nos movimentos do cotidiano. Mas, para algumas pessoas, ele exige mais; quer ver o que acontece consigo próprio se conseguir ir além. Na obra Coreografismos, apresentada no último fim-de-semana no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a Staccato Cia. de Dança se propõe exatamente a isso. Nela, cinco bailarinos do grupo carioca têm o espaço de um quadrado projetado no chão para experimentarem o máximo de possibilidades de movimentos buscando preenchê-lo totalmente. Nesse processo, surpreende o fato de eles conseguirem desenvolver os gestos a um ponto tal em que o espaço cênico deixa de ser o quadrado em questão para se tornar os próprios corpos deles.

Tudo se torna ainda mais atraente quando os bailarinos começam a interagir, experimentando as possibilidades de uma nova limitação: além do que já foi feito sobre o espaço definido, quantas novas combinações de movimento podem ser criadas quando dois ou três corpos se unem apenas por uma das mãos? O resultado explode qualquer baixa expectativa. A partir daí, por mais que se tente, não há como pensar que há verdadeiramente elementos delimitando a ação. A riqueza gestual parece infinita e cresce aos olhos do espectador, instigando-o a investigar os seus próprios limites.

Na coreografia, a descoberta de que o corpo consegue superar a sua determinação física se dá pouco a pouco, captaneada pelo esforço dos bailarinos em conseguir uma boa qualidade do fluxo de movimento. A concentração deles em cada pequeno gesto encadeado é tanta que parece impossível não ser magnetizado por aquilo. Tanto é que se torna difícil refazer na mente os caminhos do corpo cênico até uma determinada configuração.

Assim como em Outro Tango, criada em 2002 em parceria com os launos Colégio de Dança do Ceará, o coreógrafo Paulo Caldas escolhe uma trilha encabeçada por instrumentos de cordas. Talvez porque o som contínuo do violino inspire o fluxo constante de movimentos desejado, sejam eles lentos ou ágeis. Vale lembrar que o princípio norteador desses gestos está baseado na circularidade, uma das marcas mais expressivas do trabalho de Caldas.

Tanto na obra de 2002 quanto em Coreografismos, fica claro que esses dois elementos – o fluxo contínuo e a circularidade – são intrínsecos à existência um do outro. O coreógrafo os utiliza como ponte para alcançar uma verdadeira liberdade do corpo, que flui com muito mais naturalidade no desenrolar de movimentos circulares e continuados do que em gestos fragmentados. Para ele, a quebra da fluidez parece quebrar também qualquer real intenção de levar um corpo além do seu cotidiano.

Coreografismos estreou no Rio de Janeiro em 2004 e foi apontado como um dos melhores espetáculos de dança desse ano pelo jornal O Globo. O sucesso do trabalho de Paulo Caldas já despontava desde antes. Em 2001, a conceituada revista alemã Ballet International Tanz Aktuell o aclamou como um “notável jovem coreógrafo”, o que o levou a se apresentar, no ano seguinte, na Bienal de Dança de Lyon, na França. A apresentação da coreografia no Dragão do Mar fez parte da quarta e última etapa do projeto Centro em Movimento, que trouxe a Fortaleza outros nomes expoentes da dança contemporânea nacional.
Começando o dia com música...

Quando fui ao Festival de Joinville, em 2003, vi, pela primeira vez, o Grand Pas Classique completo. Era na categoria "Grand Pas de Deux Avançado", talvez sempre uma das mais esperadas. Para mim, essa apresentação (não lembro quem eram os bailarinos) merecia o primeiro prêmio com certeza. A bailarina era forte e, ao mesmo tempo, graciosa enquanto o bailarino destilava todo o seu virtuosismo. Acontece que, num salto, ele escorregou e caiu de bunda no chão =( Acho que eles perderam o prêmio aí, o que é uma grande pena... Teimo em acreditar que a culpa não era dele.

Toda essa ladainha é só para apresentar a vocês a Variação Feminina do Grand Pas Classique! A música é muito engraçadinha, mas não se deixem enganar: é uma variação que exige bastante força da bailarina! Que o diga quem já fez aqueles milhões de relevés! É bom que você pega o arquivo e começa a treinar desde já =P

Preste atenção na orientação de como puxar o arquivo: ao clicar no link acima, vai abrir uma outra janela. Quando isso acontecer, desça a barra de rolagem até encontrar a frase "DOWNLOAD THIS FILE". Daí, basta clicar em cima e esperar o download começar, ok?

Mais tarde eu volto para postar mais novidades!

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Ela não pára não!

Em matéria publicada ontem no jornal O Globo, Ana Botafogo dá detalhes sobre sua participação em Páginas da Vida, próxima novela das oito. Ela fala como está se preparando para o papel e como vai ficar a carreira de bailarina durante as gravações. A reportagem também celebra os 25 anos de carreira de Ana, que vão ser comemorados com a apresentação de Três Momentos de Amor no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Confira a matéria na íntegra no link:

http://oglobo.globo.com/jornal/bairros/centro/246681543.asp
Entrevista com Alicia Alonso

A mais novas edição da Revista BRAVO! traz uma entrevista exclusiva com a cubana Alicia Alonso, grande dama do balé internacional. No final de abril, ela chega ao Brasil com a sua companhia, o Balé Nacional de Cuba, para iniciar a série de apresentações que configuram a turnê do grupo pelo país. Vale a pena conferir o que essa mestra tão experiente tem a dizer! A última frase da entrevista é marcante; eu não poderia concordar mais...

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http://www.bravoonline.com.br/noticias.php?id=1854

TEATRO E DANÇA
A MESTRA DOS PALCOS
Leia a íntegra da entrevista com a diretora artística do Balé Nacional de Cuba, Alicia Alonso

Por Fabiana Acosta Antunes

O Balé Nacional de Cuba inicia em São Paulo a turnê brasileira de A Magia da Dança, com cenas de obras do repertório clássico e romântico do balé, coreografadas por Alicia Alonso, de 85 anos, uma das grandes artistas da história da dança. Apesar dos problemas de visão e locomoção, Alicia continua dirigindo a companhia, que fundou em 1948. Ela falou com exclusividade a BRAVO!.


BRAVO!: A senhora criou um método próprio de ensino do balé, que deu origem a um modo cubano de dançar o repertório clássico. Em que consiste?
Alicia Alonso: Você se refere à escola cubana de balé, que não é somente uma metodologia no ensino e no treinamento dos bailarinos, mas uma projeção cênica e uma maneira de usar a técnica e de interpretar os estilos própria dos bailarinos cubanos. Baseia-se na técnica clássica em sua expressão mais pura, aplicada ao físico e à estética dos cubanos.

O florescimento do Balé Nacional de Cuba se deu com sua estatização por Fidel Castro, em 1959. A aliança do governo cubano com a então União Soviética permitiu colaborações de mestres do Bolshoi e do Kirov. Em que esse intercâmbio foi determinante para o Balé Nacional de Cuba?

Este é um erro freqüente de quem não conhece bem a história do balé em nosso país. Fundei o Balé Nacional de Cuba em 1948 (então com o nome de Ballet Alicia Alonso), e a Escuela Nacional de Ballet Alicia Alonso, em 1950. O balé em Cuba surgiu, deu seus primeiros passos e alcançou prestígio sem ligação nenhuma com os soviéticos. Pessoalmente, me formei em Cuba e nos Estados Unidos com mestres da antiga escola russa, da escola italiana e com relações próximas com as escolas inglesa e dinamarquesa. Dancei pela primeira vez nos grandes teatros soviéticos em 1957, quando já era uma figura da dança internacional. Desde o começo, para o desenvolvimento do balé em nosso país, tratamos de buscar um caminho próprio, mas dentro da grande tradição. Recebemos total apoio do governo revolucionário (a partir de 1959) e isso sim foi determinante para um maior crescimento do Balé de Cuba. Isso não exclui, desde cedo, nossas magníficas relações com o balé russo, os intercâmbios mútuos — enriquecedores para ambos — e a grande amizade que tivemos e ainda temos com grandes artistas daquele país.

Como mestra de várias gerações, que diferenças a senhora vê entre os bailarinos do início do Balé Nacional de Cuba e o elenco atual?

A técnica avançou muito. Ao contrário do que às vezes se crê, o balé é uma arte que evolui, pois a força teatral se adapta às épocas. Os bailarinos agora têm mais virtuosismo e, por isso, cuidamos para que não percam a expressão.

Há bailarinos que se destacam como grandes intérpretes, porém, não chegam a coreografar. A partir de quando a senhora sentiu necessidade de atuar como coreógrafa?

Desde muito cedo me senti atraída pela composição coreográfica, posso dizer que desde que era aluna em uma escola de balé. No início de minha carreira como bailarina já estreei várias coreografias próprias e esta atividade me acompanhou sempre. Quando deixei de dançar, minha criação coreográfica se intensificou, pois pude concentrar-me mais no aspecto do trabalho artístico.

Em sua trajetória como intérprete, há algum papel que a marcou mais?

Dentro do repertório clássico, Giselle é sem dúvida uma obra próxima de minha pessoa. Mas isso não tira a importância de outros grandes personagens que também interpretei como Odette-Odile, no Lago dos Cisnes; Swanilda, de Coppélia; Lisette, de La Fille Mal Gardée, e tantos outros. Sem esquecer meu trabalho em outras obras criadas dentro de uma linguagem moderna, como Carmem, Jocasta, Julieta, etc.

Suas versões coreográficas dos clássicos são célebres e fazem parte do repertório de grandes companhias. Como se mantém a vitalidade dessas companhias em tempos em que a dança dialoga com outras linguagens?

Os grandes clássicos são obras mestras, que transcendem todas as épocas. São um patrimônio cultural da humanidade. Porém, temos de mantê-los frescos, o que não significa trair sua essência. Acentuar a pureza dos estilos, obter uma lógica dramatúrgica e apresentar essas peças com respeito e imaginação. Se tais princípios são respeitados, a vitalidade deste legado está garantida.

O que a inspira quando inicia a criação de uma coreografia? Há colaboração dos bailarinos ou a senhora prefere criar sem interferência direta do elenco?

Depende de cada obra. Às vezes, a fonte de inspiração é a música, outras, um personagem ou o tema. Sempre é importante a personalidade, o talento e a entrega dos bailarinos com os quais se trabalha. Eles podem ser um grande apoio e ajudar no processo criativo.

Como coreógrafa, professora e diretora artística do Balé Nacional de Cuba, qual(is) a(s) característica(s) que mais preza em um bailarino, seja ele clássico ou não?

Idoneidade física, vocação, musicalidade, talento expressivo, cultura técnica e teatral. Poderia enumerar outras características desejáveis no bailarino, porém, antes de tudo, um grande amor pela dança.

Poderia falar um pouco sobre A Magia da Dança, espetáculo apresentado nesta turnê?

A Magia da Dança é um grande espetáculo, que representa uma antologia de cenas extraídas de famosas obras do repertório clássico e romântico do balé. É a oportunidade de ver, em uma só noite, uma mostra brilhante de diferentes modalidades estilísticas, presentes no repertório clássico. Ele é todo interpretado com grande rigor por todas as estrelas da companhia e seu corpo de baile. Não é comum encontrar em um só espetáculo tal riqueza de estilos e de bailarinos importantes.

A senhora parou de dançar aos 75 anos. Sente falta do palco?

A dança é o que de mais importante aconteceu em minha vida. Sair de cena é como começar a viver em outra realidade. Porém, sigo dançando em minhas coreografias e nos jovens bailarinos aos quais transmito minhas experiências. Quando se foi bailarino, não se deixa nunca de dançar. Se você não o faz fisicamente, se expressa de outra forma: pode-se até dançar com o pensamento.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

" (...) filhos de Terpsícore, renunciai às cabriolas, aos entrechats e aos passos muito complicados (...) Essa combinação de passos numerosos bem ou mal encadeados, esse desempenho difícil, esses movimentos complicados despojam, por assim dizer, a dança de palavras. Mais simplicidade, mais doçura, maior suavidade nos movimentos dariam ao bailarino mais facilidade de retratar e de exprimir-se; poderia dividir-se entre o mecanismo dos passos e os movimentos próprios à expressão das paixões. A dança livre das pequenas coisas poderia então dedicar-se às grandes".

Jean-Georges Noverre
in Lettres sur la danse

sexta-feira, 1 de julho de 2005

São 13h14 e eu ainda estou com a mesma malha preguenta de suor que vesti às 8h (quando ela não estava preguenta de forma alguma).
Não sei direito porque gosto de ficar assim. Não acho que seja apenas preguiça de cansaço, de ter de tirar tudo para entrar no banho. E o corpo dói... Mas é uma dorzinha gostosa, uma dorzinha que significa que você está fazendo tudo direito e, como recompensa, todo o o corpo amolece e... É bom. Acho que quando você toma banho, pelo menos metade de todas essas sensações desce pelo ralo.

Pois então, aqui estou, tendo de ainda costurar elástico na sapatilha, maquiá-la, editando uma entrevista sobre dança para, mais tarde, subir ao palco mais uma vez.

Estou respirando dança [e amo muito tudo isso]. Lembra os tempos de Colégio de Dança: das 8h às 14h de malha, direto - dança direto. A única diferença é que naquela época eu tinha mais força. Era dança a manhã inteira e à noite. Dança em tempo integral.

Ana e Toshie estão me ajudando a recuperar tudo isso de novo, mas eu não sou mais a mesma e o meu relacionamento com tudo isso provavelmente também não. Mas ele não vai mudar para pior não! Vai ser só diferente.

Whatever you feel, just dance it